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<!DOCTYPE pubsTopic PUBLIC "-//PTC//DTD PUBS DITA Topic//EN" "
 ">
<!--Arbortext, Inc., 1988-2018, v.4002-->



<pubsTopic id="ModellingOfRadiativeHeatTransfer-5347CEDD" xml:lang="pt_BR">
<title>Modelagem de transferência de calor radiativa</title>
<prolog>
<metadata><keywords><keyword translate="no"/></keywords>
</metadata>
</prolog>
<pubsBody>
<p>Em um sistema de fluido térmico, as superfícies sólidas, o fluxo de fluido ou ambos podem ser submetidos a aquecimento ou refrigeração por causa de radiação. Em modelos CFA, a transferência de calor radiativa é explicada resolvendo-se a equação de transporte radiativo (RTE) e, em seguida, obtendo o termo de origem radiativa para a equação de conservação de energia total. O modelo de radiação superfície a superfície (S2S), uma abordagem de modelagem amplamente usada, é o modelo escolhido no <ptcProduct conref="../../../conref_pn.dita#pubsTopic-1-A872B923/CreoFlowAnalysis-21EE8F04"/>.</p>
<section><title>Equação de transferência radiativa</title><p>Quando um raio de radiação atravessa uma camada de um meio absorvente, emissor e difusor em determinada direção, o raio perde energia por causa da absorção e difusão a partir do raio. O raio também ganha energia de fontes de luz no meio por emissão e difusão em direção ao raio. O balanceamento de energia total de um raio sobre uma camada infinita do meio resulta em uma equação diferencial, conhecida como equação de transporte radiativo (RTE).</p><fig id="Figure-5A81C41A">
<image href="../images/PTC_Radiation_Physics_2.png"/>
</fig><p>Para derivar a equação de transporte radiativo, considere um raio de radiação de entrada com intensidade de <codeph>I</codeph> atravessando um meio, por exemplo, um gás, com espessura incremental ds na direção de <image href="../images_equations/Equation904.png"/>, conforme exibido na <xref format="dita" href="#Modeling_RadiativeHeatTransfer/Figure-5A81C41A">figura</xref>. Através da camada do meio, a incidência no local <image href="../images_equations/Equation905.png"/> e a direção <image href="../images_equations/Equation906.png"/> mudam de quatro formas diferentes, aumentando (energia ganha +) ou diminuindo (energia perdida -) a intensidade de radiação <image href="../images_equations/Equation907.png"/>:<ul>
<li><p>Absorção — Um meio, por exemplo, gás, absorve uma fração da radiação atravessando-o. Com o coeficiente de absorção <image href="../images_equations/Equation908.png"/>, a energia de radiação perdida por meio de absorção é:</p><fig id="Equation2.282-56E8352C">
<image href="../images_equations/Equation909.png"/>
<p>equação 2.282</p>
</fig></li>
<li><p>Difusão — Um meio, por exemplo, gás, causa difusão de uma fração da energia de radiação para outra direção (longe da direção <image href="../images_equations/Equation906.png"/>) quando o raio atravessa o meio. Com o coeficiente de difusão <image href="../images_equations/Equation911.png"/>, a energia de radiação perdida por meio de difusão é:</p><fig>
<image href="../images_equations/Equation912.png"/>
<p>Equação 2.283</p>
</fig></li>
<li><p>Emissão — Um meio emite energia de radiação para o raio como um corpo cinza de acordo com a temperatura local (<image href="../images_equations/Equation913.png"/>) e as características de emissão para o raio. De acordo com a lei de Stefan-Boltzmann e a reciprocidade entre emissão e absorção, a <xref format="dita" href="CharThermalRadiation.dita#pubsTopic-1-4578B678/Equation2.274-56E75DB4" scope="local" type="fig">equação 2.274</xref> e a <xref format="dita" href="CharThermalRadiation.dita#pubsTopic-1-4578B678/Equation2.279-56E77EA1" scope="local" type="p">equação 2.279</xref>, a radiância emitida pelo meio é: <image href="../images_equations/Equation914.png"></image> </p><p>Além disso, considerando que <codeph>n</codeph> é o índice de refração do meio (definido como a razão da velocidade da luz no vácuo e sua velocidade no meio especificado), a energia real que o raio de radiação ganha é:</p><fig>
<image href="../images_equations/Equation915.png"/>
<p>Equação 2.284</p>
</fig></li>
<li><p>Difusão de outras radiações — Uma fração de outras origens de radiação na camada do meio é difundida para o raio de radiação dependente dos vetores de posição e direção <image href="../images_equations/Equation916.png"/> e <image href="../images_equations/Equation917.png"/>. Com a introdução de <image href="../images_equations/Equation918.png"/><image href="../images_equations/Equation919.png"/> representando a direção e o ângulo sólido do feixe de radiação e <image href="../images_equations/Equation920.png"/> representando a função de fase, temos a fração de intensidade de um raio percorrendo todas as direções e sendo difundido para a direção <image href="../images_equations/Equation921.png"/> da seguinte forma:</p><fig id="Equation2.285-56E7D287">
<image href="../images_equations/Equation922.png"/>
<p>equação 2.285</p>
</fig><p>Observe que, na <xref format="dita" href="#Modeling_RadiativeHeatTransfer/Equation2.285-56E7D287" scope="local" type="fig">equação 2.285</xref>, os processos de difusão são ignorados.</p><p>Com a radiação de entrada <image href="../images_equations/Equation923.png"/> e a radiação de saída <image href="../images_equations/Equation924.png"/>, o balanceamento de energia radiativa na direção <image href="../images_equations/Equation925.png"/> tem a seguinte forma:</p><fig id="Equation2.286-56E81C11">
<image href="../images_equations/Equation926.png"/>
<p>equação 2.286</p>
</fig><p>Ao substituir a <xref format="dita" href="#Modeling_RadiativeHeatTransfer/Equation2.282-56E8352C" scope="local" type="fig">equação 2.282</xref> pela <xref format="dita" href="#Modeling_RadiativeHeatTransfer/Equation2.285-56E7D287" scope="local" type="fig">equação 2.285</xref> na <xref format="dita" href="#Modeling_RadiativeHeatTransfer/Equation2.286-56E81C11" scope="local" type="fig">equação 2.286</xref> e dividi-la por <image href="../images_equations/Equation927.png"/>, o resultado é a equação de transporte radiativo (RTE) a seguir:</p><fig id="Equation2.287-56ED4ABD">
<image href="../images_equations/Equation928.png"/>
<p>equação 2.287</p>
</fig><p>A RTE é uma equação integro-diferencial de primeira ordem para a intensidade de radiação <image href="../images_equations/Equation929.png"/> em uma direção fixa <image href="../images_equations/Equation930.png"/>. Para resolver essa equação dentro de um domínio, é necessário o campo de temperatura dentro do domínio, além de serem necessárias condições de limite para <image href="../images_equations/Equation931.png"/> nas superfícies internas e externas e, também, nas interfaces entre dois meios diferentes.</p><p>A temperatura do meio local é obtida ao resolver a equação de conservação de energia total (incluindo as origens radiativas), descrita no módulo <xref format="dita" href="..\Heat\Introduction.dita" scope="local" type="pubsTopic">Calor</xref>. Para a radiação térmica, no entanto, o tratamento de limite é complexo e depende dos modelos de radiação. Em geral, um limite pode ser um meio opaco que emite, reflete e absorve, ou pode ser um meio semitransparente que também transmite. A reflexão e a transmissão podem ser difusas ou especulares, ou difusas e especulares. Por exemplo, em um limite opaco emissor e refletor com radiação cinza e dependendo do tipo de reflexo, a intensidade de um raio pode ser expressa da seguinte forma:<ul>
<li><p>Limite opaco com emissão e reflexão difusas:</p><fig>
<image href="../images_equations/Equation932.png"/>
<p>Equação 2.288</p>
</fig></li>
<li><p>Limite opaco com emissão difusa e reflexão especular:</p><fig>
<image href="../images_equations/Equation933.png"/>
<p>Equação 2.289</p>
</fig><p>em que <table>
<tgroup cols="2"><colspec colname="col1"/><colspec colname="col2"/>
<tbody>
<row>
<entry><p><image href="../images_equations/Equation934.png"/> ⃗</p></entry>
<entry><p>vetor de unidade normal a superfície na posição <image href="../images_equations/Equation935.png"/></p></entry>
</row>
<row>
<entry><p><image href="../images_equations/Equation936.png"/></p></entry>
<entry><p>direção e ângulo sólido de um raio refletido de forma difusa (reflexão uniforme em todas as direções)</p></entry>
</row>
<row>
<entry><p><image href="../images_equations/Equation937.png"/></p></entry>
<entry><p>direção do raio refletida de forma especular (reflexão perfeita, dependendo da incidência)</p></entry>
</row>
<row>
<entry><p><image href="../images_equations/Equation938.png"/></p></entry>
<entry><p>refletividade de superfície, refletividade difusa e refletividade especular, respectivamente, usando a relação a seguir:</p><fig id="Equation2.290-576220AF">
<image href="../images_equations/Equation939.png"/>
<p>equação 2.290</p>
</fig></entry>
</row>
</tbody>
</tgroup>
</table></p><p>Com as condições de limite fornecidas, a <xref format="dita" href="#Modeling_RadiativeHeatTransfer/Equation2.287-56ED4ABD" scope="local" type="fig">equação 2.287</xref> controla o transporte da intensidade de radiação em uma direção especificada. Para radiações cinzas, a <xref format="dita" href="#Modeling_RadiativeHeatTransfer/Equation2.287-56ED4ABD" scope="local" type="fig">equação 2.287</xref> deve ser resolvida em todas as diferentes direções dentro de uma esfera. Para radiações não cinzas, a intensidade também depende dos comprimentos de onda. Portanto, ela precisa ser resolvida em todas as direções sobre o espectro inteiro de comprimentos de onda. Claramente a solução direta da equação de transferência radiativa é muito demorada. Por isso, em muitas simulações de engenharia, é melhor usar modelos simplificados, porém, aproximados, para levar em conta as dependências direcional e espectral. Em simulações de CFD, os modelos de radiação a seguir são adotados com frequência e sua descrição detalhada pode ser encontrada nas referências.</p><p>Referências: <cite>R. Siegel and J. R. Howell, Thermal Radiation Heat Transfer”, Hemisphere Publishing Corporation, Washington DC, 1992.</cite></p><ul>
<li><p>Modelo de radiação de Rosseland</p><p>Referências: <cite>R, Siegel and J. R. Howell, Thermal Radiation Heat Transfer”, Hemisphere Publishing Corporation, Washington DC, 1992.</cite></p></li>
<li><p>Modelo de radiação P-1</p><p>Referências: <cite>R. Siegel and J. R. Howell, Thermal Radiation Heat Transfer, Hemisphere Publishing Corporation, Washington DC, 1992.</cite></p></li>
<li><p>Modelo de radiação de transferência discreta</p><p>Referências: <cite>N. G. Shah, A New Method of Computation of Radiant Heat Transfer in Combustion Chambers”, PhD thesis, Imperial College of Science and Technology, London, England, 1979.</cite></p><p>Referências: <cite>M. G. Carvalho, T. Farias, and P. Fontes, Predicting Radiative Heat Transfer in Absorbing, Emitting, and Scattering Media Using the Discrete Transfer Method”, In W. A. Fiveland et al., editor, Fundamentals of Radiation Heat Transfer, volume 160, pages 17-26. ASME HTD, 1991.</cite></p></li>
<li><p>Modelo de radiação de superfície a superfície (S2S)</p><p>Referências: <cite>R. Siegel and J. R. Howell, Thermal Radiation Heat Transfer”, Hemisphere Publishing Corporation, Washington DC, 1992.</cite></p></li>
<li><p>Modelo de radiação de ordenadas discretas (DO)</p><p>Referências: <cite>G. D. Raithby and E. H. Chui, A Finite-Volume Method for Predicting a Radiant Heat Transfer in Enclosures with Participating Media”, J. Heat Transfer, 112:415-423, 1990.</cite></p><p>Referências: <cite>E. H. Chui and G. D. Raithby, Computation of Radiant Heat Transfer on a Non-Orthogonal Mesh Using the Finite-Volume Method”, Numerical Heat Transfer, Part B, 23:269-288, 1993.</cite></p></li>
</ul><p>Cada modelo tem suas próprias vantagens e limitações com relação a precisão e custo. Por exemplo, embora o modelo de Rosseland não resolva uma equação de transporte para radiação incidente, é o modelo de radiação mais rápido e requer a menos memória extra. Rosseland pode ser usado somente para meios opticamente espessos (espessura óptica é o logaritmo natural da razão entre potência radiante incidente e potência radiante transmitida em um meio) por causa da simplificação excessiva da equação de transporte radiativo. </p><p>O modelo de radiação de ordenadas discretas (DO) transforma a <xref format="dita" href="#Modeling_RadiativeHeatTransfer/Equation2.287-56ED4ABD" scope="local" type="fig">equação 2.287</xref> em uma equação de transporte para a intensidade da radiação nas coordenadas espaciais <image href="../images_equations/Equation940.png"/> e a resolve sobre um número finito de ângulos sólidos discretos associados à direção do vetor <image href="../images_equations/Equation941.png"> </image>. O número de ângulos sólidos selecionados determina diretamente a precisão e o custo computacional. A abordagem do modelo DO também é idêntica à abordagem usada para equações de fluxo de fluido e de energia. No momento, é o modelo de radiação mais geral que abrange todo o intervalo de espessuras ópticas e pode ser aplicado a problemas desde radiação de superfície a superfície até radiação em meio participante, como um sistema de combustão. No entanto, o custo computacional do modelo DO é alto para radiações não cinzas.</p><p>Entre os modelos de radiação mencionados acima, o modelo de radiação de superfície a superfície (S2S) é particularmente bom para a modelagem da transferência radiativa de compartimento sem considerar os meios participantes. Os exemplos típicos são os aquecedores de ambiente radiativos e os sistemas da parte interior do capô e da carroceria de automóveis. Nessas situações, os modelos de radiação para a radiação em meio participante não são sempre eficientes. Comparado ao modelo de radiação DO, o modelo S2S é mais rápido por iteração, embora o cálculo do fator de vista possa requerer uso intensivo de CPU. No <ptcProduct conref="../../../conref_pn.dita#pubsTopic-1-A872B923/CreoFlowAnalysis-21EE8F04"/>, a opção atual de modelo para transferência de calor radiativa é o modelo de radiação S2S.</p></li>
</ul></p></li>
</ul></p></section>
<section><title>Modelo de radiação de superfície a superfície (S2S)</title><p>O modelo de radiação de superfície a superfície é usado para a troca de radiação em um compartimento de superfícies cinzas difusas sem meios participantes. A troca de energia radiativa de superfície a superfície depende de dois fatores principais: as características radiativas das superfícies envolvidas e os parâmetros geométricos, incluindo áreas e formas da superfície e a posição relativa de uma com relação à outra (distância de separação e orientação). No modelo de radiação S2S, a transferência de calor radiativa de superfície é considerada pelo modelo de radiação cinza difusa, enquanto os parâmetros geométricos são levados em conta por uma função geométrica chamada fator de vista.<ul>
<li><p>Radiação cinza difusa</p><p>O modelo de radiação S2S pressupõe que as superfícies sejam cinzas e difusas (radiação cinza). Para uma superfície cinza, a emissividade <image href="../images_equations/Equation942.png"/> e a absortividade <image href="../images_equations/Equation943.png"/> das superfícies são independentes do comprimento de onda dos raios de saída e de entrada. De acordo com a lei de Kirchhoff da radiação térmica, na <xref format="dita" href="CharThermalRadiation.dita#pubsTopic-1-4578B678/Equation2.274-56E75DB4" scope="local" type="fig">equação 2.274</xref>, a emissividade é igual à absortividade:</p><fig>
<image href="../images_equations/Equation944.png"/>
<p>Equação 2.291</p>
</fig><p>Além disso, com a suposição de uma superfície difusa, não ocorre nenhuma reflexão especular na superfície e a refletividade (<image href="../images_equations/Equation945.png"/>) da radiação incidente na superfície é isotrópica  com relação ao ângulo sólido. Na <xref format="dita" href="#Modeling_RadiativeHeatTransfer/Equation2.290-576220AF" scope="local" type="fig">equação 2.290</xref>, a refletividade da superfície é determinada da seguinte forma:</p><fig>
<image href="../images_equations/Equation946.png"/>
<p>Equação 2.292</p>
</fig><p>em que <table>
<tgroup cols="2"><colspec colname="col1"/><colspec colname="col2"/>
<tbody>
<row>
<entry><p><image href="../images_equations/Equation947.png"/></p></entry>
<entry><p>reflexão especular na superfície</p></entry>
</row>
<row>
<entry><p><image href="../images_equations/Equation948.png"/></p></entry>
<entry><p>refletividade difusa</p></entry>
</row>
</tbody>
</tgroup>
</table></p><p>Para uma superfície não opaca ou semitransparente, a transmissividade <image href="../images_equations/Equation949.png"/> também é independente dos comprimentos de onda:</p><fig>
<image href="../images_equations/Equation950.png"/>
<p>Equação 2.293</p>
</fig><p>O modelo de superfície a superfície cinzas difusas pressupõe que a troca de energia radiativa entre superfícies praticamente não é afetada pelo meio que as separa. Portanto, se uma quantidade específica de energia radiante <image href="../images_equations/Equation951.png"/> incidir em uma superfície por unidade de área (irradiância), as porções de energia radiativa refletida, absorvida e transmitida são <image href="../images_equations/Equation952.png"/>, <image href="../images_equations/Equation953.png"/> e <image href="../images_equations/Equation954.png"/> respectivamente. Como as superfícies são opacas para a radiação térmica no espectro de infravermelho para a maioria das aplicações, as superfícies radiativas podem ser consideradas como opacas. Portanto, a transmissividade pode ser negligenciada <image href="../images_equations/Equation955.png"/>. Na <xref format="dita" href="CharThermalRadiation.dita#pubsTopic-1-4578B678/Equation2.273-5561F453" scope="local" type="fig">equação 2.273</xref> e <xref format="dita" href="CharThermalRadiation.dita#pubsTopic-1-4578B678/Equation2.274-57629358" scope="local" type="p">equação 2.274</xref>, a refletividade da superfície <image href="../images_equations/Equation956.png"/> é expressa da seguinte forma:</p><fig>
<image href="../images_equations/Equation957.png"/>
<p>Equação 2.294</p>
</fig><p>Com a suposição da radiação de superfície cinza difusa, a equação de modelagem S2S é construída com base na conservação de energia em cada superfície.</p></li>
<li><p>Equação de modelagem S2S</p><p>A principal suposição do modelo S2S é a de que, em um sistema fechado, a transferência de calor radiativa ocorre somente entre superfícies cinzas difusas (radiação cinza). A absorção, a emissão ou a difusão da radiação no meio que separa as superfícies podem ser ignoradas. Portanto, considere somente a radiação de superfície a superfície para análise numérica.</p><p>O fluxo de energia radiativa que sai de uma superfície específica consiste em energia diretamente emitida e refletida. O fluxo de energia refletida depende do fluxo de energia incidente dos arredores, que pode ser expresso em função do fluxo de energia que sai de todas as outras superfícies. Para calcular o fluxo líquido de energia radiativa em uma superfície, é recomendado definir a radiosidade <image href="../images_equations/Equation958.png"/>, que é a soma da potência emissiva por unidade de área (emitância) <image href="../images_equations/Equation959.png"/> e da parte refletida da potência de radiação recebida pela superfície por unidade de área (irradiância) <image href="../images_equations/Equation960.png"/>:</p><fig>
<image href="../images_equations/Equation961.png"/>
<p>Equação 2.295</p>
</fig><p>Para uma superfície opaca, <image href="../images_equations/Equation962.png"/>, a radiosidade é obtida da seguinte forma:</p><fig id="Equation2.296-576378F3">
<image href="../images_equations/Equation963.png"/>
<p>equação 2.296</p>
</fig><p>Portanto, com as suposições no modelo S2S, o sistema de equações lineares a seguir pode ser formulado para calcular a radiosidade em cada superfície de um sistema fechado. Se <image href="../images_equations/Equation964.png"/> representa a radiosidade em uma superfície arbitrária <image href="../images_equations/Equation965.png"/>, <image href="../images_equations/Equation966.png"/> é a temperatura da superfície e <image href="../images_equations/Equation967.png"> </image> é o fator de vista entre as superfícies <image href="../images_equations/Equation968.png"/> e <image href="../images_equations/Equation969.png"/>, a radiosidade na superfície <image href="../images_equations/Equation970.png"/> é obtida da seguinte forma:</p><fig id="Equation2.297-57635BFD">
<image href="../images_equations/Equation971.png"/>
<p>equação 2.297</p>
</fig><p>em que <image href="../images_equations/Equation972.png"> </image> que é o número de superfícies que participam da transferência de calor radiativa. Usando o símbolo de Kronecker , <image href="../images_equations/Equation973.png"/>, e aplicando a lei de Stefan-Boltzmann para radiação cinza, <xref format="dita" href="#Modeling_RadiativeHeatTransfer/Equation2.297-57635BFD" scope="local" type="fig">equação 2.278</xref>, é possível reorganizar a <xref format="dita" href="CharThermalRadiation.dita#pubsTopic-1-4578B678/fig-1473-56D2C96D" scope="local" type="fig">equação 2.297</xref> e derivar a equação de modelagem S2S:</p><fig id="Equation2.298-57637395">
<image href="../images_equations/Equation974.png"/>
<p>equação 2.298</p>
</fig><p>Com o fator de vista previamente calculado <image href="../images_equations/Equation975.png"/>, o sistema da <xref format="dita" href="#Modeling_RadiativeHeatTransfer/Equation2.298-57637395" scope="local" type="fig">equação 2.298</xref> linear é resolvido a fim de obter <image href="../images_equations/Equation976.png"/> para as superfícies participantes. Assim, os fluxos líquidos de calor de radiação em cada superfície são calculados facilmente. Para a superfície <image href="../images_equations/Equation977.png"/>, o fluxo líquido de calor radiativo <image href="../images_equations/Equation978.png"/> é a diferença entre a radiação de saída (<image href="../images_equations/Equation979.png"/>) e a radiação de entrada (<image href="../images_equations/Equation980.png"/>) por unidade de área. Na <xref format="dita" href="CharThermalRadiation.dita#pubsTopic-1-4578B678/fig-1473-56D2C96D" scope="local" type="fig">equação 2.278</xref> e <xref format="dita" href="#Modeling_RadiativeHeatTransfer/Equation2.296-576378F3" scope="local" type="fig">equação 2.296</xref>, é possível derivar a formulação de fluxo a seguir:</p><fig>
<image href="../images_equations/Equation981.png"/>
<p>Equação 2.299</p>
</fig><p>Para uma área de superfície específica <image href="../images_equations/Equation982.png"/>, os fluxos líquidos de calor de radiação que saem da superfície <image href="../images_equations/Equation983.png"/> são calculados da seguinte forma:</p><fig>
<image href="../images_equations/Equation984.png"/>
<p>Equação 2.300</p>
</fig><p>O modelo S2S é composto de um sistema de equações lineares na forma da <xref format="dita" href="#Modeling_RadiativeHeatTransfer/Equation2.298-57637395" scope="local" type="fig">equação 2.298</xref>. A vantagem da aplicação do modelo é que, para fatores de vista e temperaturas específicos, é possível calcular os fluxos líquidos de calor ao resolver um sistema de equações lineares, que são calculadas aplicando-se algoritmos numéricos. No entanto, a maior dificuldade da aplicação do modelo de superfície a superfície proposto é o cálculo de <image href="../images_equations/Equation985.png"> </image> fatores de vista, para um número n de superfícies participantes. Esse cálculo pode demorar muito tempo, especialmente com um aumento no número de superfícies.</p></li>
</ul></p></section>
<section><title>Cálculo do fator de vista</title><p>Na <xref format="dita" href="#Modeling_RadiativeHeatTransfer/Equation2.298-57637395" scope="local" type="fig">equação 2.298</xref> de modelagem S2S, o fator de vista <image href="../images_equations/Equation986.png"/> é a proporção da radiação que sai da superfície <image href="../images_equations/Equation987.png"/> e atinge a superfície <image href="../images_equations/Equation988.png"/>. Conforme exibido na <xref format="dita" href="#Modeling_RadiativeHeatTransfer/Figure2.37-5769F149" scope="local" type="fig">figura 2.37</xref>, pressupondo que <image href="../images_equations/Equation989.png"/> seja a área diferencial na superfície <image href="../images_equations/Equation991.png"> </image>, <image href="../images_equations/Equation990.png"/> seja a área diferencial na superfície <image href="../images_equations/Equation992.png"/> e a distância entre <image href="../images_equations/Equation989.png"/> e <image href="../images_equations/Equation990.png"/> seja <image href="../images_equations/Equation993.png"/>, o fator de vista <image href="../images_equations/Equation994.png"/> é expresso de <image href="../images_equations/Equation995.png"/> a <image href="../images_equations/Equation996.png"/> a uma distância <image href="../images_equations/Equation997.png"/> da seguinte forma:</p><fig id="Equation2.301-576A42E9">
<image href="../images_equations/Equation998.png"/>
<p>Equação 2.301</p>
</fig><p>em que <image href="../images_equations/Equation999.png"> </image> e <image href="../images_equations/Equation1000.png"/> são os ângulos entre as direções normais das superfícies e um raio entre as duas áreas diferenciais.</p><fig id="Figure2.37-5769F149">
<image href="../images/Man_Radiation_Physics2.png"/>
<p>Figura 2.37</p>
</fig><p>Se <image href="../images_equations/Equation1001.png"/> e <image href="../images_equations/Equation1002.png"/> são as áreas fornecidas das superfícies <image href="../images_equations/Equation1003.png"/> e <image href="../images_equations/Equation1004.png"/> respectivamente, o fator de vista da superfície <image href="../images_equations/Equation1005.png"/> à superfície <image href="../images_equations/Equation1006.png"/> é a integral média de área da <xref format="dita" href="#Modeling_RadiativeHeatTransfer/Equation2.301-576A42E9" scope="local" type="fig">equação 2.301</xref> sobre as superfícies <image href="../images_equations/Equation1007.png"/> e <image href="../images_equations/Equation1008.png"/>:</p><fig id="Equation2.302-576A5DDA">
<image href="../images_equations/Equation1009.png"/>
<p>Equação 2.302</p>
</fig><p>Observe que a radiação de superfície a superfície ocorre somente quando as duas superfícies são visíveis uma a outra, ou o fator de vista é diferente de zero. Usando o símbolo de Kronecker, <image href="../images_equations/Equation1010.png"/>, com relação à visibilidade entre <image href="../images_equations/Equation1011.png"/> e <image href="../images_equations/Equation1012.png"/>:</p><fig>
<image href="../images_equations/Equation1013.png"/>
<p>Equação 2.303</p>
</fig><p>É possível reescrever a <xref format="dita" href="#Modeling_RadiativeHeatTransfer/Equation2.302-576A5DDA" scope="local" type="fig">equação 2.302</xref> da seguinte forma:</p><fig id="Equation2.304-576E33C5">
<image href="../images_equations/Equation1014.png"/>
<p>Equação 2.304</p>
</fig><p>Para quaisquer duas superfícies visíveis uma a outra, uma superfície <image href="../images_equations/Equation1015.png"/> específica somente irradia uma porção da energia radiativa de saída para a superfície <image href="../images_equations/Equation1016.png"/>, conforme exibido na <xref format="dita" href="#Modeling_RadiativeHeatTransfer/Figure2.378-5769F5AF" scope="local" type="fig">figura 2.378</xref>. Portanto, o fator de vista sem dimensão <image href="../images_equations/Equation1017.png"/> representa a porção de energia que sai da superfície <image href="../images_equations/Equation1018.png"/> e alcança a superfície <image href="../images_equations/Equation1019.png"/>. As características estão na lista a seguir:</p><fig id="Figure2.378-5769F5AF">
<image href="../images/Man_Radiation_Physics3.png"/>
<p>Figura 2.378</p>
</fig><ul>
<li><p>Soma dos fatores de vista — Como a radiação que sai de uma superfície é conservada, a soma de todos os fatores de vista de uma superfície <image href="../images_equations/Equation1020.png"/> específica é igual a 1 (uma unidade). Para um sistema fechado de <image href="../images_equations/Equation1021.png"/> superfícies:</p><fig>
<image href="../images_equations/Equation1022.png"/>
<p>Equação 2.305</p>
</fig></li>
<li><p>Superfície visível a si mesma — Como a radiação percorre linhas retas, nenhum raio de radiação pode sair de uma superfície convexa e atingir a mesma superfície mais tarde. Portanto, superfícies convexas não são visíveis a si mesmas:</p><fig>
<image href="../images_equations/Equation1023.png"/>
<p>Equação 2.306</p>
</fig><p>Para superfícies côncavas, o raio de saída de uma posição na superfície pode atingir a mesma superfície mais tarde em uma posição diferente. Portanto, a superfície côncava pode ser visível a si mesma:</p><fig>
<image href="../images_equations/Equation1024.png"/>
<p>Equação 2.307</p>
</fig></li>
<li><p>Superposição — Para um sistema de <image href="../images_equations/Equation1025.png"/> superfícies, se uma superfície <image href="../images_equations/Equation1026.png"> </image> específica irradia para um número <image href="../images_equations/Equation1027.png"> </image> de superfícies (<image href="../images_equations/Equation1028.png"/>), o fator de vista entre a superfície <image href="../images_equations/Equation1029.png"/> e o número <image href="../images_equations/Equation1030.png"/> de superfícies é igual à soma dos fatores de vista entre a superfície <image href="../images_equations/Equation1031.png"/> e cada uma das <image href="../images_equations/Equation1032.png"/> superfícies:</p><fig>
<image href="../images_equations/Equation1033.png"/>
<p>Equação 2.308</p>
</fig><p>A regra de superposição ou a regra de soma é útil quando uma geometria não está disponível com gráficos fornecidos. Com a regra de superposição, é possível expressar a geometria buscada usando a soma ou a diferença das geometrias conhecidas.</p></li>
<li><p>Reciprocidade — A <xref format="dita" href="#Modeling_RadiativeHeatTransfer/Equation2.304-576E33C5" scope="local" type="fig">equação 2.304</xref> define o fator de vista <image href="../images_equations/Equation1034.png"/> como a fração da energia radiativa que sai da superfície <image href="../images_equations/Equation1035.png"/> e alcança a superfície <image href="../images_equations/Equation1036.png"/>. Da mesma maneira, o fator de vista <image href="../images_equations/Equation1037.png"/>, que é a porção de energia que sai da superfície <image href="../images_equations/Equation1038.png"/> e alcança a superfície <image href="../images_equations/Equation1039.png"/>, é expresso da seguinte forma:</p><fig id="Equation2.309-576E0A4D">
<image href="../images_equations/Equation1040.png"/>
<p>Equação 2.309</p>
</fig><p>Se a <xref format="dita" href="#Modeling_RadiativeHeatTransfer/Equation2.309-576E0A4D" scope="local" type="fig">equação 2.309</xref> é comparada com a <xref format="dita" href="#Modeling_RadiativeHeatTransfer/Equation2.304-576E33C5" scope="local" type="fig">equação 2.304</xref>, obtemos o relacionamento a seguir:</p><fig id="Equation2.310-576E061D">
<image href="../images_equations/Equation1041.png"/>
<p>Equação 2.310</p>
</fig><p>A <xref format="dita" href="#Modeling_RadiativeHeatTransfer/Equation2.310-576E061D" scope="local" type="fig">equação 2.310</xref> é chamada de reciprocidade de fatores de vista. Com o teorema da reciprocidade, é possível calcular de forma direta somente um dos pares de fatores de vista.</p></li>
</ul></section>
<section><title>Agrupamento</title><p>O modelo de radiação S2S consome muita computação quando o número de superfícies de irradiação é grande. Para diminuir o tempo de computação e o requisito de armazenamento, é possível reduzir o número de superfícies de irradiação juntando um número específico de faces de célula de limite adjacentes para criar agrupamentos de superfície. Assim, a radiosidade (<image href="../images_equations/Equation1042.png"/>) é calculada para os agrupamentos de superfície. Em seguida, esses valores são distribuídos para as faces de célula de limite dentro de cada agrupamento a fim de calcular as temperaturas de parede. Como os termos de origem de radiação são altamente não lineares (proporcionais à quarta potência da temperatura), certifique-se de calcular a temperatura média dos agrupamentos de superfícies e distribuir os termos de fluxo e de origem adequadamente entre as faces de limite que formam os agrupamentos.</p><p>A temperatura do agrupamento de superfícies é obtida pela média de área da temperatura da face de limite, conforme exibido na equação a seguir:</p><fig>
<image href="../images_equations/Equation1043.png"/>
<p>Equação 2.311</p>
</fig><p>em que <image href="../images_equations/Equation1044.png"> </image> é a temperatura do agrupamento de superfícies e <image href="../images_equations/Equation1045.png"/> e <image href="../images_equations/Equation1046.png"/> são a área de face e a temperatura da célula de limite em simulações do CFA. A soma é feita para todas as faces dentro de um agrupamento de superfícies.</p></section>
</pubsBody>
</pubsTopic>
